‘Empresários do clique’ aproveitam navegação dos internautas para ganhar dinheiro

“Ninguém enche o meu saco, não tenho horário fixo e trabalho de casa.” Ainda que a descrição seja um sonho para muitas pessoas, é exatamente essa a realidade do webmaster Rafael Pereira, 22. O jovem, que mantém três sites de conteúdo pornográfico, só trabalha em função disso e ganha em média R$ 1.000 por mês. Na época que era liberado mandar scrap (recado) em massa pelo Orkut, chegou a faturar quantias maiores. “Conhece alguém que não tem faculdade e já ganhou US$ 150 por dia?”

O caso de Rafael não é exclusivo. Como o webmaster, há diversas pessoas na rede que ganham dinheiro exibindo anúncios de links patrocinados, por meio de programas de afiliação.

Esse tipo de serviço de publicidade funciona da seguinte forma: uma pessoa que tem um site ou blog cria uma conta em um programa de afiliação – como Google Adsense ou o UOL Afiliados – e escolhe o tipo de bloco de publicidade que quer pôr na página. Em seguida, o programa de afiliação gera um código HTML, que deverá ser copiado para o site. Após algumas horas, o site passará a exibir publicidade de acordo com o conteúdo da página. Se o site for sobre carros, por exemplo, aparecerão anúncios sobre venda de veículos ou acessórios. A cada clique dado nos links patrocinados, o dono do site recebe dinheiro.

Os programas de afiliação não divulgam a porcentagem de ganho de cada um dos envolvidos (quanto fica com eles e quanto vai para o dono do site), mas o que se sabe é que, em linhas gerais, o valor do clique em um link patrocinado vale centavos. No entanto, por mais que pareça pouco, há pessoas que vivem apenas com a renda de clique.

O analista de sistemas Paulo Lima, 24, tem como única atividade profissional cuidar do site de variedades que ele criou chamado “Mundo das Tribos“. De acordo com ele, a adesão a programas de afiliação é uma boa forma para ganhar dinheiro. “Com o que recebo de propaganda consigo viver bem e pagar uma equipe de profissionais freelancers, responsáveis pela inserção de conteúdo no site”, disse ele, que usa dois serviços de afiliação distintos. Porém, não é só criar um site e aderir a esses sistemas de publicidade. É preciso ter uma boa audiência, para que haja mais chances de o visitante acessar os anúncios – daí a contratação de pessoas para a produção de conteúdo no “Mundo das Tribos”. Segundo Lima, seu site tem em torno de 400 mil page views (visualizações de página) por dia.

Os próximos planos do ex-estudante de redes é fazer algum curso mais ligado à comunicação. “Estou pensando em entrar em um curso de publicidade. Não pelo fato de a profissão exigir, mas sim por hobby”.

Bônus e ônus

Apesar das vantagens, as pessoas que vivem de publicidade na internet também enfrentam problemas de instabilidade financeira. “Da mesma forma que já ganhei R$ 4 mil em um mês, algumas vezes só ganhei R$ 300”, disse Rafael, que mantém sites de conteúdo adulto. “Às vezes é melhor ter um trabalho fixo, porque você sabe exatamente quanto vai receber no fim do mês”. Mesmo assim, o webmaster não está à procura de emprego. “Só saio se me oferecerem mais do que eu ganho em casa.”

Por não haver garantia sobre valores, quem trabalha em função de publicidade de links patrocinados sempre busca outra forma de se precaver. Rafael, por exemplo, vai começar a pagar INSS como autônomo. Já Paulo Lima tem previdência privada e, paralelo a isso, faz investimentos em ações e renda fixa.

Conta cancelada

Há ainda o caso de pessoas que podem contar com esse dinheiro para pagar as contas e acabam sendo banidas dos programas de afiliação. Após o início da veiculação de links patrocinados em um site, se os anúncios receberem muitos cliques de um mesmo endereço, a conta da pessoa é cancelada e o site para de receber links pagos. Essa “overdose” de clique pode ser ocasionada, basicamente, por dois motivos: tentativa de fraude (uma empresa quer derrubar a concorrente e clica em um anúncio o dia inteiro) ou por inexperiência (os amigos clicam nos links patrocinados do blog de uma pessoa para tentar ajudá-la a faturar mais).

Douglas Lazarini, 21, viveu um caso parecido com o último descrito. Após divulgar seu blog na faculdade, ele teve a conta de afiliação bloqueada. “Assim que coloquei o endereço no Adsense, avisei para os meus amigos. Um deles chegou para mim e disse que tinha clicado 50 vezes em uma propaganda – o que vai contra as normas do programa”, disse ele, que teve sua conta suspensa.

Mesmo assim, o estudante pretende criar, em breve, mais dois blogs e garante que aprendeu a lição. “Na próxima vez, só vou divulgar e deixar as coisas acontecerem naturalmente”, planeja. “Os serviços de links patrocinados têm um código que identifica, após determinado número de cliques, se alguém está tentando fraudar o sistema de publicidade online”, finalizou.

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