Cientistas divididos sobre perigos da recriação do Big Bang

Às 12:06 horas da última terça-feira fez-se História no CERN. 30 de março de 2010 vai ser, para sempre, relembrado como o dia em que o homem recriou, em versão miniaturizada, a explosão que deu origem ao Universo. Alguns cientistas dizem que estas experiências põem em risco a humanidade.

Inspirados pelo sucesso de terça-feira, os investigadores do CERN têm agora como objectivo alargar a experiência até ao momento exacto da criação do Universo. Depois da colisão de partículas à velocidade de 50 embates por segundo, a 30 de março, o centro de investigação na Suíça pretende aumentar o número de colisões para 300 por segundo.

Milhares de cientistas em todo o mundo estão a seguir as colisões que acontecem no LHC, e que são representadas em gráficos multicoloridos nos monitores do CERN. Tendo como propósito aprender mais sobre as partículas subatómicas e o papel que desempenham no Universo, tanto eles como os seus colegas do CERN esperam descobrir matéria negra, que acreditam compor cerca de 25% do Universo. Esta substância é apenas detectável através dos seus efeitos gravitacionais, bem como por meio de radiação.

Procurar matéria negra é perigoso para a humanidade?

O LHC pode, ainda, ajudar a perceber se a matéria negra existe de todo, como explicou John Ellis, citado pelo “Information Week”. “Temos muitas teorias sobre o que podemos vir a encontrar, mas apenas através de experiências é que podemos saber quais estão certas, se é que alguma está!”, afirmou o membro do Grupo Teórico do CERN.

Como acontece, muitas vezes, em experiências inovadoras, alguns investigadores externos, de que fazem eco os teóricos da conspiração, consideram que o CERN está a pôr em risco a humanidade, dado que as colisões a acontecer no LHC criam “mini buracos negros” – versões extremamente reduzidas dos originais gigantes que se encontram no centro de várias galáxias, e que sugam a matéria em seu redor.

Mas os responsáveis pelo LHC põem de parte essa possibilidade. “Os buracos negros que possam surgir a partir das nossas colisões duram uma fracção de segundo antes de se dissolverem. Não são perigo nenhum para a humanidade”, assegurou o físico do CERN, Denis Denegris.

Planos definidos até 2013

Mas a experiência levada a cabo no centro instalado na Suíça não se resume apenas aos acontecimentos dos últimos dias: o projeto, dividido em várias fases, tem já etapas definidas até, pelo menos, 2013. “Estamos a aproximar-nos de fronteiras científicas totalmente novas”, disse James Gillies, porta-voz do CERN, à agência Reuters.

Caso não surjam problemas de maior, a inserção de feixes de prótons no LHC será quase diária até ao final de 2011, altura em que a máquina será preparada para suportar colisões mais poderosas. A partir de 2013, as partículas vão passar a chocar a um total de 14 TeV.

Os resultados podem vir a ser aquilo a que Segio Bertolucci, director de Investigação do CERN, chama “o desconhecido desconhecido”, isto é, aspectos da criação do Universo que se afigurem como uma surpresa total.

O dia seguinte à experiência inédita

Se os acontecimentos de 30 de março foram paradigmáticos, as etapas levadas a cabo um dia depois, quarta-feira, não trouxeram nada de extraordinário. Entretanto, os técnicos aproveitaram para consertar pequenas falhas no Acelerador Atómico de Partículas (LHC na sigla original), semelhantes às que atrasaram o início da experiência em alguma horas na terça-feira.

James Gillies não se mostrou preocupado. “Estamos a avançar progressivamente. Pequenos problemas como estes são normais em projetos desta envergadura”, explicou.

Paralelamente ao aumento do montante de partículas inseridas no LHC, o CERN quer aumentar a informação relativa aos resultados de colisões a sete teravolts (TeV), o que corresponde a 99,99% da velocidade da luz. A essa potência, as colisões de partículas são praticamente uma simulação perfeita dos eventos que aconteceram poucos nano-segundos após o Big Bang, e que levaram à criação das galáxias, estrelas e à vida na Terra – e, quem sabe, noutros pontos do Universo.

Gillies confirmou que o montante total de partículas a inserir no LHC vai ser aumentado de dois de cada vez para 2700 entre os primeiros 18 meses e dois anos da fase “Nova Física” do projeto.

“Vai ser como se fizéssemos cada vez mais carros acelerarem em direções opostas na mesma faixa de uma auto-estrada: haveria cada vez mais choques frontais”, explicou o porta-voz do CERN.

À procura da “partícula de Deus”

De acordo com o comunicado presente na página oficial do CERN, as experiências no LHC vão continuar até se ter recolhido dados suficientes para se poder fazer uma “re-descoberta” do Modelo Standard de Partículas.

Só a partir desse momento, necessário para se poder avançar com a procura de novos modelos da Física, é que as experiências levadas a cabo no LHC terão como objetivo a descoberta do Bóson de Higgs. Conhecido como “a partícula de Deus”, é a partícula hipotética de energia, tida como responsável pela criação do Cosmos através da transformação em massa da matéria gerada pelo Big Bang.

Os especialistas do CERN acreditam que só nessa fase do projeto é que esse elemento será encontrado. A sua descoberta, a acontecer, vai permitir resolver várias inconsistências dos modelos teóricos da física correntes hoje em dia.

Fonte: Jornal de Notícias

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